22/01/2005 12:02
Novo endereço do "O que der na telha"
enviada por D.Angelis
17/01/2005 10:11
Cuspindo para cima
O que realmente faz a alma arder de insegurança diante da possibilidade de perder a pessoa amada? Muitas coisas podem matar uma relação. Quanto mais castradora, maior é a possibilidade disso acontecer e com uma rapidez acima do normal, se é que esse parâmetro existe. O que você realmente sente? Qual a diferença entre essa resposta e o que te ensinaram? Quantas verdades lhe foram dadas e você simplesmente aceitou? Não podem tocar o que é seu? Só de você imaginar já te bate um desespero? Não aceita porque isso seria traição... O que é exatamente traição? O que realmente importa? Pense bem... Gostaria de uma relação com alguém que você admirasse, conversasse abertamente com o mínimo de segredos, que sentisse um tesão fenomenal e que de repente virasse para você confessando estar sentindo um desejo enorme por outra pessoa? Se isso acontecesse, qual seria sua a reação?
A lealdade é uma qualidade difícil de conviver porque normalmente é mal interpretada e acaba sendo confundida com fidelidade. Nesse contexto, o que seria a âncora que estaciona uma relação verdadeira, acaba sendo motivo de medo e angústia. É claro, na prática as coisas não são tão simples, mas é bem menos complicado se desligando do ego e se apegando com o desejo de felicidade da pessoa amada. Se realmente existe amor, por que o egoísmo e a hipocrisia recebem tanta importância? Será que o amor não pode ser plural? Não seria um privilégio saber que entre tantos seres humanos amados, você é que tem a prioridade? E todas a experiências divididas acrescentam na confiança e na criatividade presente em todas as cabeças, embora muitos não descubram a presença da mesma. Um absurdo? Libertinagem? Será? Só se ama uma vez na vida? As coisas boas sempre acabam? O que causa isso?
A procura eterna do ser humano por descobertas vem do subconsciente, o que explica a natureza da curiosidade. A repressão a isso causa desgaste e infelicidade, um simples freio já é perigoso, embora em alguns momentos, necessário. Mas não existe nada mais eficaz para matar o entusiasmo do que o ato de podar de forma tirana e egocêntrica. As grandes amizades nascem das descobertas que são feitas com uma determinada pessoa. Ela passa a ganhar importância e a gerar lembranças e expectativas deliciosas. Você ri fácil com ela. Conversa muito e ouve-a falar sobre a beleza alheia e acha graça. Ouve relatos dos seus desejos mais íntimos e proibidos e por todos esses motivos somados, você se apaixona. E quando a situação chega perto da perfeição com tamanha sintonia, você tenta mudar tudo o que te fez fascinar-se, quer tudo só para você. É bem simples: a partir daí, está colocado um prazo de validade na relação.
enviada por D.Angelis
11/01/2005 21:39
Reclamações
A falta de tempo é algo complicado para administrar. O mundo enlouquece e você vai junto. Acho que estou pirando de vez... Espero ficar rico logo, pois não sei como os loucos lidam com o dinheiro, se sabem curtir os benefícios do capitalismo. Então esse é o meu desafio; manter a minha sanidade em dia para poder aproveitar a ascensão meteórica da Letrasete. A felicidade óbvia vem acompanhada de pouquíssimas horas de sono, agüentar papo fiado de bajuladores e coquetéis que fazem a minha ex-forma física atlética ficar prejudicada. Mas, tudo bem; pior é na guerra, que passa um monte de balas e não dá para chupar nenhuma.
enviada por D.Angelis
02/01/2005 14:17
As piadas da mãe natureza
Depois das festas de final de ano, muitas ressacas, muito dinheiro jogado no lixo, muitos abraços de pessoas que nunca vimos na vida, estamos de volta a realidade. Ano novo, energias revigoradas, diferentes expectativas... Tem que ser realmente muito otimista. A velha etapa foi finalizada com dois acontecimentos nada animadores: a reeleição de George W Bush e o tsunami que trucidou a Ásia. Perturbador, não? O primeiro demonstra que os americanos não estão nem um pouco a fim de parar de brincar de Rambo, muito pelo contrário, assumiram de vez a intenção de dominar o pedaço, no caso o planeta. Tudo bem, todo mundo já sabia disso, só não precisava eles esfregarem na nossa cara. Quanto a onda dos sonhos de todos os grandes surfistas, essa é uma grande ironia. É claro que é chocante ver inocentes mortos e tal, mas convenhamos que a natureza, ainda assim, é bem generosa. Sofre agressões diárias, é massacrada pela ignorância humana e de vez enquando dá uma bofetada e um sinal de que está ficando farta de levar desaforo sem reagir. O fato é que ela foi pega numa fase de TPM, está nervosa acima da média e resolveu tirar um pouco o atraso. Como o planeta em sua grande maioria é de água salgada, ela foi bem óbvia e utilizou o recurso mais fácil. E escolheu bem: pontos turísticos paradisíacos cheios de milionários que as custas da sua destruição, estavam em deleite profundo. Será que foi coincidência? Pode ser. Ou não. Mas ficou clara a sua irritação profunda. É provável que seja a hora daqueles que não acreditam e subestimam as forças da natureza olharem ao seu redor e procurarem a resposta para o que está errado. Enxergarem que as fases da lua, o sol, o vento, a terra, e as energias sentidas, não são apenas coisas. São agentes modificadores, possuem funções complexas e interferem diretamente sobre tudo o que sentimos e pensamos. Não são eles que estão no espaço da gente, é o contrário. Pode não ser agradável perceber o nosso tamanho insignificante, mas se pararmos de nos comportarmos como gigantes, talvez possamos receber o perdão. O que fica difícil é manter a esperança acessa com a maior potência humana do planeta EUA dar mais poder a um cidadão que acha que além de ser possível dominar o homem, pode medir forças com a natureza. E as ironias continuam...
enviada por D.Angelis
28/12/2004 16:03
Não mais com dono
Quando ninguém esperava nada de imprevisível, ela recebeu o corpo. Abriu a boca e de forma delicada deixou entrar na sua boca. Deixou pousar em cima da língua e em silêncio se manteve. Ouviu atentamente as preces, sentiu vontade de rir em alguns momentos. O homem de preto lhe encarava de vez em quando, forçando a retirada do sorriso de canto de boca. Circulou os olhos e viu sofrimento, almas angustiadas a procura de um refúgio. Carência e dor passaram a fazer parte do que antes era engraçado. Algumas coisas começaram a fazer sentido; uma delas era a presença daquele homem imponente, levemente grisalho, que em sua fala deixava clara toda a sua arrogância. Não pensou duas vezes em mastigar. Esmagou e triturou a imponência e a presunção. Fez pouco caso da salvação alheia e depois de transformar tudo isso em uma sopa nojenta, cuspiu aos pés do homem. Ele, incrédulo, ficou mudo e constrangido. Uma senhora com um guarda chuva velho em mãos se aproximou dela e perguntou o motivo daquilo. A resposta veio com um olhar. Vagarosamente, a idosa foi se afastando e começou a mastigar e sorrir. Uma felicidade sublime invadiu o semblante daquele velho corpo e outros começaram a repetir o gesto. Os sapatos pretos que naquele momento já não era tão imponentes, se encheram de lama que um dia tinha sido sagrada. Mas naquele momento nada mais era do que escória. E ela gargalhou como nunca, acompanhada por um barulhento coro.
enviada por D.Angelis
18/12/2004 03:59
Os olhos que não se olham
Somente ela sabia o que era verdade. Nunca colocava as cores nos seus devidos lugares, tinha medo de formar um arco-íris. Seus passos, sempre doloridos, os sapatos apertavam, tinha dificuldade, não gostava de ser notada. Sempre imaginou que uma península pudesse se soltar e aguardou praticamente a vida inteira ver isso acontecer. Nas suas verdades estavam as seguranças necessárias para isolar a única peça que afirmava negação. A vida que passa na velocidade da luz parece ser lenta em pensamentos. No boneco estão muitos segredos guardados cuidadosamente, lembranças de equívocos tão repetidos que inutilizam a genialidade. O papel se manteve o mesmo, passou de mão em mão e nenhuma linha foi acrescentada. Mas ela imagina o contrário. Não há como preservar se desconhece a preservação. O pacto com o Diabo mostrou rapidamente o seu alto preço. Tudo lhe foi dado: as resoluções acertadas, o pente que não embaraça no cabelo e o desleixo que causa audição em demasia não é exatamente coincidência. O peito em ponto de ebulição sufocado pela limitação e vergonha da verdade. Ela teve que fazer a sua escolha e sua televisão continua alimentando a própria incapacidade. A isenção de ignorância e o atropelo debaixo do próprio carro debocham da frustração. Parada, apenas a indiferença do mundo para com ela é o que resta. E por mais que se tente, não adiantou muito tentar inverter os papéis e ficar confortável. Basta olhar para a seqüência de sua evolução, virando-se de costas. E como repetição teimosa, a solidão será inevitável. Mas o amor continuará sempre em torno de si.
enviada por D.Angelis
10/12/2004 02:23
Uma Nuca Golpeada
Voltar ao passado é algo extremamente difícil, principalmente quando se depende quase que exclusivamente do sub-consciente. Especular algo é tão distante de lembrar que nem sempre vale a pena acreditar do que se recorda. É uma diferenciação complexa, mas quando é inevitável, o fator problema ganha uma dimensão enorme e a busca torna-se inevitável e incômoda. Mexer em coisas pseudomortas normalmente é bem desagradável. Sem lembrança consciente, pior ainda. O que fica presente de fato é a dor e a agonia. Correr atrás de mazelas é algo que não deveria fazer sentido e na verdade só faz quando os demônios começam a perseguição que, equivocadamente, achamos que nunca vai acontecer. Mas não é de tudo ruim. Voltar o foco para si e para o seu passado exercita um valor agregado. Percebe-se a importância da mais insignificante existência diante da teoria do caos. Está aí a grande chave do mistério: encontrar verdadeiramente o ontem, se possível com margem de erro nula, o que convenhamos, já é impossível. Então é melhor utilizar a palavra improvável.
Independente dessa teoria que na prática tem a mesma velocidade de resultados de uma lesma, não tem muito como fugir muito dela. É a imagem do inferno, com diabinhas sedentas por sexo e Satã estudando como controlar a incrível ocupação repentina que fizeram com o seu lar. Isolar a si mesmo do mundo atual para mergulhar no que já foi real é ao mesmo tempo um risco e uma necessidade. É uma guerra que, como qualquer uma, deixa seqüelas e não dá opção de sobrevivência a não ser ao esmagar o inimigo, e convenhamos, não é todo mundo que sabe usar as armas que aparecem, não é?
Bem, que se instale por um tempo, que enlouqueça, mas que seja temporário, apenas um estágio comprovando a dignidade. Caso contrário, que a fúria venha com força total, porque barulho só é válido se puder ensurdecer a todos. Que ele me faça lembrar que um dia teve piedade de mim.
enviada por D.Angelis
04/12/2004 20:14
Um Fio de Cabelo
Sempre me questionam o porque de tanto mistério. É tão estranho assim? "Apenas ser" é tão incomodo? Para quê explicação se sempre será e é especulativo? Não há o que dizer. Aos que amo, procuro me desculpar, explicar prováveis equívocos e desfazê-los. De resto, apenas a minha indiferença que com certeza é melhor do que a minha raiva. Não costumo odiar, apesar de usar muito essa palavra. Não gosto de brutalidade prática, mas sou fã da violência irônica. Detesto a vulgarização do sexo, mas sou sexual ao extremo. Não levo nada totalmente a sério, mas dizem que meu sorriso é raro. É o que tem que ser. Falo para os que me amam e vice-versa. É engraçado... Tudo é. A loucura verdadeira que em si é um conceito: mutável, falso e verdadeiro. Deus e o Diabo são hilários na sua guerra particular que lhe foram atribuídas pelo homem. O mal é estupendo na sua condição de parâmetro... O quanto ele é útil... O bem? O que é o bem? A negação do seu oposto? Por aí corre um fluxo que pela ignorância ou ansiedade pode ser questionado, mas nunca realmente respondido porque a própria realidade é questionável. O que sou? Talvez apenas um provocador. Não gratuitamente, apenas para incomodar, mas para ser respondido com perguntas, metáforas, empurrões, lágrimas, gargalhadas, sorrisos, tudo o que vier do outro lado. Por que? Não se tem resposta. Comecei dizendo: apenas ser. Perde-se tempo demais procurando motivos e de menos vivendo possibilidades. Dúbio? Sim! E quem disse que isso é um defeito? As quedas são eficazes, mas não são necessárias como falam por aí... Não é isso que indica caminhos. O movimento é que faz isso. Talvez por isso andar em linha reta cause tanto tédio. É tão previsível... Ou não. As interrogações estão presentes em qualquer mente, mas utilizá-las requer provocação, que não necessariamente venha de si próprio. O movimento dá respostas para muitas dúvidas, porém é tudo momentâneo, é um ciclo tão presente quanto a respiração. E como é que tudo pode ser tão simples e atingir uma complexidade inexplicável na carente alma do ser? Apenas ser... Como a palavra apenas deixa claro o princípio básico. Somos almas desassossegadas, como disse um amigo meu? É possível. Qual a causa? Falta do que fazer, desleixo do paradoxo do não questionável? A loucura do apenas ser não é oculta, não tem porque atingir essa condição. Misterioso é o tédio, em suas inúmeras visões, distorcidas ou não.
No meu espelho o reflexo é obscuro, sem forma concreta de reflexo. E aceito isso, me sinto privilegiado por aceitar o apenas. Existe fogo, é claro. E a chama incomoda muito, mas não vou queimar, por mais que ela se pareça próxima, não vai acontecer. Amo o amor que me dão, da forma que me é enviado e não especulo sobre isso, apenas vem. É inegável a sua nuança e as angústias que isso causa, mas possibilitam novos rumos e seja qual for o escolhido, as coisas voltam ao normal. Normal? O que é significa essa palavra? Apenas um padrão cultural seguido para definir o bom do ruim, o certo do errado. Uma bobagem, não sei por que falei isso, não merece o esforço dos meus dedos para teclar.
Aos que me amam, saibam que se machucarão muitas vezes e de diversas formas. Mas viverão eternamente evitando a tediosa faceta da tentativa de exatidão. Novos degraus estarão sendo desvendados sem ordem de subida nem descida. E possuirão todos os cuidados necessários. Aos que restam, espero que nos encontremos em algum lugar no vazio, tentando desvendar as interrogações, esquecendo de conceituar quedas e aceitando o movimento.
enviada por D.Angelis
28/11/2004 14:31
Cof ...Cof. Não faz mal, os pensamentos ficam soltos mesmo. Acabam por se encontrar no mesmo lugar, pedindo um cantinho para sentar. Não é o bastante, mas é o possível para o momento. O controle não é bem visto. Cabeças são diferentes. Cof... Cof. Passos são dados. Difícil acompanhar em linha reta, a consciência já não permite. Químicas flutuantes. Predadores em fase de preparação. Contos nem sempre verdadeiros divulgados. Cof... Cof. Estômago que embrulha, já era previsto. Inibição temporária, mas já vai passar. Coça a ponta do nariz e pensa: será? De alguma forma. Mas... Cof... Cof... Tudo está indo. O que não existe passa a existir. A chegada do suor. Venha, é impossível lutar. Pode ajudar, até. A força que está mais concentrada onde menos se imagina. Cof... Cof. Liga os motores. Nublado, imagens perdem o foco e o sentido do pensamento tradicional. Cof... Cof. Sexualidade intensa na ponta dos dedos. Nasce e morre. Brincadeira com as possibilidades. Nem o mais forte insetífugo é eficaz. A palma da mão tenta resolver, as vezes dá. A tentativa de insidiar termina em interrogação. Mas não há oclusão, o fluxo é rebelde, não obedece ordens paternas. Cof... Cof. O que eu queria era um pouco mais. Cof... Cof. Acho que tenho que sossegar um pouco. Ou não. Ele sempre deveria terminar as frases: o ou não é de uma sabedoria incrível. Cof... Cof. A ponta do nariz continua a desviar atenção, insiste em interromper. Cof... Cof. Já vai! Cof... Cof. Já abri e isso se repete a anos, vai por osmose. Mas voltemos... Cof... Cof. Falam para eu não ter medo, mas que graça teria? O gosto de cevada continua e as coisas repousam da mesma forma. Cof... Cof. A lua está linda! Você gosta dela? Vê como a nuvem flerta ao passar se esfregando de forma marota? Será que a sua imponência não vai permitir algo mais? Cof... Cof. Sabe o que eu queria agora? Um carinho. Faça nos meus cabelos, eles são macios. Vou permitir que o resto do corpo participe das sensações. Cof... Cof. Cuidado com as unhas. Quer mais um refrigerante? Cof... Cof. Eu já estou vendo tanta coisa...
enviada por D.Angelis
22/11/2004 03:30
Complexo de Nietzsche
Recentemente a revista Veja publicou uma matéria que leva o título de Agora Elas Escrevem, falando do estrondoso sucesso de livros lançados por atrizes americanas de filmes pornôs, sendo que alguns chegaram a virar best- sellers. Gustavo Poloni , o responsável pela reportagem, deixou clara a sua surpresa com o fato de algumas dessas mulheres possuírem capacidade de escrever. O título em si já é meio irônico. Apesar dele mesmo criticar o preconceito e o hipócrita puritanismo social que não é só privilégio dos americanos -, usa um tom meio debochado demonstrando um certo desdém.
Sempre foi comum tratar o ambiente da indústria pornográfica como um lugar de pessoas doentias, que por falta de escrúpulos ou opção entraram em um mundo de drogas e profanação. Parece bem difícil aceitar que gosto não se discute. Esse negócio movimenta quase dez bilhões de dólares por ano, o que significa que boa parte dos críticos e moralistas de plantão são ávidos consumidores dos produtos desse mercado. E isso não é nenhuma novidade. Mas em que lógica se baseia a surpresa de ver gente da indústria do sexo escrevendo com propriedade em alguns casos - e virando celebridade na mídia convencional por esse motivo? O que essas mulheres possuem de tão diferente das atrizes e escritoras tradicionais? Há, sim... O que todos fazem ou gostariam de fazer, elas expõem em frente às câmeras. Certo, mas fora isso? Não existe pornografia na tv aberta, logo, para assistir uma cena explícita é necessário ter acesso através de um canal fechado, uma locação ou na Internet, não é? Portanto é opcional, não há motivo para se chocar com nada.
enviada por D.Angelis
17/11/2004 16:11
Letrasete. Guardem esse nome... É a realização de um grande sonho coletivo.
enviada por D.Angelis
11/11/2004 10:14
Dementar
Sua boca fede como um cadáver em putrefação
Seu cérebro plorifera idéias imundas e sem nexo
Suas palavras corrosivas desprezando afeição
Sua rotina agora é vomitar e fazer sexo
Pele constantemente banhada em pus
Crateras visíveis que se espalham na epiderme
Podridão que faz questão de fazer jus
Satisfação absoluta em ser um verme
Sua existência é uma comprovada desgraça
Defecando conceitos aterradores para os fracos
Incendiando e trucidando a ameaça
E nem seu filho, mesmo podre, tem os seus traços
A raridade do seu ser caminha para a banalidade
Terceiras faces encontram no espelho a identificação
E tudo que antes era a lama se torna vaidade
Retórica de um saduceu sem sagacidade
enviada por D.Angelis
07/11/2004 11:33
As quatro pegadas malignas
Bush reeleito. Tendo o presidente do planeta terra, Osama Bin Laden, como cabo eleitoral, não ficou difícil para ele vencer. Sei não... Mais quatro anos sendo governados por aquele bípede com síndrome de quadrúpede vai ser complexo. Não adiantou a campanha de Michael Moore, uma pena. Pelo menos vai sobrar material para ele trabalhar nos seus documentários. E quanto a nós, brasileiros, devemos curtir bastante a Amazônia e bebermos bastante água. Será que ainda resta uma luz no fim do túnel? Eu particularmente, tenho as minhas dúvidas. Juliana Rodrigues, manifeste-se! Onde está a lanterna mágica? Quebra esse galho, vai!
enviada por D.Angelis
02/11/2004 12:58
Transexuais
A minha adolescência foi marcada por alguns episódios de estupidez que fariam um ogro sentir-se envergonhado. De todas, as saídas com amigos em carros velozes, com caixas inteiras de ovos e garrafas cheias de urina para jogar em travestis, foram as mais cretinas. Até que um dia a coisa saiu do controle: agredimos um deles. Felizmente ele ou ela, sei lá não ficou gravemente machucado. Levei quase duas semanas sem dormir direito, tendo pesadelos e uma pressão enorme no peito. Fui ensinado a odiar pessoas diferentes de mim e aceitei. Talvez aquela pobre criatura tenha atravessado o meu caminho para me livrar daquela lavagem cerebral.
Há pouco tempo atrás, estava em um bar considerado GLS e vi um transexual enorme sair de um táxi. O engraçado é que até o público gay olhou meio diferente para ele. O que os travestis são, afinal? Não é uma questão de opção sexual, é uma transformação do corpo, da mente e da postura. Sem contar que é condenar-se ao isolamento social, se expor a agressões gratuitas de gente ignorante como eu era. Só que hoje a violência é completamente banalizada, diferente de dez anos atrás. Que tipo de necessidade leva alguém a comprar essa briga? Sou como a maioria das pessoas: preciso de esclarecimento. Sem preconceito, apenas quero saber se essa coragem vale a pena.
A mídia sempre faz o papel de vilã. Apenas matérias sensacionalistas são divulgadas, reforçando a péssima imagem dessa gente. Quando se fala em um crime, revelar a presença de um travesti dá uma grande relevância negativa, é claro.
Até mesmo em casos de transexuais famosos como Roberta Close, por exemplo, fica claro o pavor: você comeria a Roberta Close?. Essa é a frase mais comum e que sendo traduzida para uma versão mais honesta ficaria: você comeria esse monstro, mesmo ele sendo atraente e cheio de glamour?.
De vez em quando me volta a terrível lembrança da surra. Não façam isso, garotos! Eu não tenho culpa! Só estou tentando ganhar algum para sobreviver, não estou incomodando ninguém!. Sempre que essas palavras gritadas por ele me invadem, sinto vontade de chorar. Muita vergonha mesmo. Não me acho no direito de sentir raiva dos meus pais, porque eles tiveram o mesmo ensinamento e achavam que estavam fazendo o melhor por mim. E o que é foda é ter que admitir que a sociedade é assim e, se for mudar, eu, com certeza, não estarei vivo para ver. Esse sofrimento... Isolamento... O que faz isso valer a pena? Ser apenas gay já não é bastante difícil? Ter que lidar diariamente com hipocrisia, intolerância e muitas vezes rejeição familiar... Realmente são pessoas muito mais fortes do que eu, que já encontrei as regras ao meu favor e tenho a proteção e a permissão social de ser um ignorante e ouvir aplausos.
enviada por D.Angelis
31/10/2004 11:58
Magnitude
Lágrimas escorrem em abundância e desleixo deixando a respiração ofegante, demonstrando a submissão eminente. Muros desabando e defesas em caos. Desordem dos sentimentos que, fora de ordem, podem trocar de função e atingir o que deveriam preservar. A trilha sonora faz deboche e as notas musicais dançam saltitantes dando um tom de surrealismo. Pequena sensação de angústia de pálpebras abertas provoca conforto. Ao espetar a mão nos espinhos de uma rosa é que se percebe a verdadeira beleza. Se revela como a vida é: imperfeita, apesar da sua magnitude. Uma gota de lágrima cai exatamente em cima da de sangue, numa mistura quase perfeita de energia. Troca-se a exatidão das cores num fluxo belo e desordenado. Parece ciança aprendendo a andar. O olhar abstrato e curioso de uma pequena vida é o mais eficaz para interpretar a nuança dos sentidos. Não se compromete em buscar uma resposta, é apenas uma visão despretensiosa em que a sensação de agrado ou não indicará o nível de proximidade.
enviada por D.Angelis
30/10/2004 14:50
Apesar do seu nome que mais parece uma analogia ao Moisés bíblico, o filme "Mar Aberto" surpreende. Fui assisti-lo e falo a pedidos do amigo e leitor, Fábio Góis. Tinha a intenção de tirar uma deliciosa soneca, mas quebrei a cara. É bem interessante. Começa meio devagar, mas rapidamente leva o telespactador a uma viagem agonizante, deixando implícita a intenção de mostrar a insignificância do homem diante do poder da natureza - conceito que equivocadamente temos o costume de inverter. Foge de clichês óbvios e o diretor acertou em cheio ao não alongar demais. Um pouco mais de tempo comprometeria a qualidade da produção. Dando o devido desconto de alguns exageros, o final é realmente inesperado. Vale a pena.
enviada por D.Angelis
30/10/2004 00:39
Câmera... Ação!
O zagueiro do clube de futebol São Caetano, Serginho, faleceu na última quarta-feira, em pleno estádio durante um jogo. Normal. Todos um dia terão o mesmo destino. Ele se foi fazendo o que amava e a maior prova disso é ter assinado um termo de responsabilidade para continuar jogando, ciente de um problema que possuia no coração.
No mundo dos humanos funciona assim: enquanto as coisas acontecem, as pessoas trabalham, os atletas treinam, os professores dão aulas, as crianças brincam, praticamente ninguém se manifesta e questiona riscos e coisas erradas que se sucedem. E a vida corre normalmente, bela e nobre. De repente algo dá errado. Uma menina cai do balanço, acadêmicos entram em greve, um esportista perde uma perna no exercício da sua profissão. Então um batalhão de coisas erradas começa a aparecer - embora nunca estivessem escondidas - e pessoas sem nenhuma pretensão senão a "justiça" surgem reclamando de falhas de terceiros e reinvindicando melhorias nas condições de trabalho de determinadas classes.
A morte de Serginho se tornou apenas um detalhe na mídia. O importante mesmo é que os especialistas de plantão dilvulguem opiniões e críticas ao socorro dado ao jogador.
Ninguém aceita que as coisas simplesmente acontecem. Prevenir ou não é opcional, mas existem situações óbvias demais. Enquanto a escória que busca auto-promoção especula, outros incidentes como o desse atleta não estão sendo evitados.
enviada por D.Angelis
27/10/2004 23:32
Cebolotomia
Todos conhecem alguém que já se emocionou a ponto de chorar por causa de um programa patético de auditório onde um pobre coitado que não tinha onde cair morto ganha uma bolada de dinheiro. Grande audiência, é lógico. Sentimentos oscilam; revolta, impotência, inveja, indignação e felicidade pulsante. A era da indústria das lágrimas. Encomenda-se. Roteiro feito, produção caprichada. Difícil achar algo mais deprimente do que sentimento padronizado. Sugestão? Desligue a tv e vá fazer uma salada. Com certeza a sua emoção será menos previsível.
enviada por D.Angelis
21/10/2004 19:27
Equação
Ventre tocado por uma alma. Poesia em fração de segundo recitada. A volúpia delineada seduz as pupilas dilatadas e levemente cansadas. O hálito quente, cheiroso, fórmidável. Os pezinhos perfeitos, lindos, de dedos semi-compridos e de odor agradável, estimulam os fetiches e pecados sociais. A boca procura sedenta pelo bico rosado e com olhos fechados saboreia inocentemente apenas no aspecto.
Enxugando o rosto, óleo e suor, cheiro forte, primitivo... Uma gilete desliza na pele, absurdo é o belo desenho. Observa e se esforça para evitar aproximação. Pedidos aceitos, o espetáculo é assistido de perto, sem interrupções. Os dedos com maestria passeiam alterando a velocidade e em determinados pontos assumem dupla função. Com a inevitável nula distância, a língua passeia pelo salto negro e as madeixas são puxadas com força. Peça íntima na altura dos joelhos, o rosto sente o calor e ouve sons agradáveis. Transforma-se em uno. Seja bem vinda...
enviada por D.Angelis
14/10/2004 19:58
Carta para Satã
"Eu sei que os intrusos debocham da própria desgraça como se as individualidades fossem inatingíveis. Talvez seja por isso que o seu oponente tenha perdido o interesse em nós. Dá para entender o lado dele. Não consegue mais controlar a praga que se prolifera furiosamente. Lavou as mãos colocando minúsculos inimigos para um reequilíbrio significativo. A natureza sempre pede isso durante os seus ciclos. Mas depois que descobriu que mesmo sem os predadores a extinção é eminente, talvez sossegue de vez.
O que acharia de tomar alguma atitude? Poderia enriquecer o seu currículo, afinal não é todo dia que se pode manipular um planeta. Estaria disposto a chegar a um acordo? Se responsabilize pelo menos pela parte organizacional. Até porque não deve ter muito o que fazer, fora coçar a calcificação extra localizada na sua testa. Além de que seria uma ótima oportunidade de irritar a sua maior desavença. Pense nisso: não podemos ficar desamparados."
enviada por D.Angelis
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