22/11/2004 03:30
Complexo de Nietzsche
Recentemente a revista Veja publicou uma matéria que leva o título de Agora Elas Escrevem, falando do estrondoso sucesso de livros lançados por atrizes americanas de filmes pornôs, sendo que alguns chegaram a virar best- sellers. Gustavo Poloni , o responsável pela reportagem, deixou clara a sua surpresa com o fato de algumas dessas mulheres possuírem capacidade de escrever. O título em si já é meio irônico. Apesar dele mesmo criticar o preconceito e o hipócrita puritanismo social que não é só privilégio dos americanos -, usa um tom meio debochado demonstrando um certo desdém.
Sempre foi comum tratar o ambiente da indústria pornográfica como um lugar de pessoas doentias, que por falta de escrúpulos ou opção entraram em um mundo de drogas e profanação. Parece bem difícil aceitar que gosto não se discute. Esse negócio movimenta quase dez bilhões de dólares por ano, o que significa que boa parte dos críticos e moralistas de plantão são ávidos consumidores dos produtos desse mercado. E isso não é nenhuma novidade. Mas em que lógica se baseia a surpresa de ver gente da indústria do sexo escrevendo com propriedade em alguns casos - e virando celebridade na mídia convencional por esse motivo? O que essas mulheres possuem de tão diferente das atrizes e escritoras tradicionais? Há, sim... O que todos fazem ou gostariam de fazer, elas expõem em frente às câmeras. Certo, mas fora isso? Não existe pornografia na tv aberta, logo, para assistir uma cena explícita é necessário ter acesso através de um canal fechado, uma locação ou na Internet, não é? Portanto é opcional, não há motivo para se chocar com nada.
enviada por D.Angelis
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