���������������� O QUE DER

���� NA TELHA

04/12/2004 20:14

Um Fio de Cabelo

Sempre me questionam o porque de tanto mistério. É tão estranho assim? "Apenas ser" é tão incomodo? Para quê explicação se sempre será e é especulativo? Não há o que dizer. Aos que amo, procuro me desculpar, explicar prováveis equívocos e desfazê-los. De resto, apenas a minha indiferença que com certeza é melhor do que a minha raiva. Não costumo odiar, apesar de usar muito essa palavra. Não gosto de brutalidade prática, mas sou fã da violência irônica. Detesto a vulgarização do sexo, mas sou sexual ao extremo. Não levo nada totalmente a sério, mas dizem que meu sorriso é raro. É o que tem que ser. Falo para os que me amam e vice-versa. É engraçado... Tudo é. A loucura verdadeira que em si é um conceito: mutável, falso e verdadeiro. Deus e o Diabo são hilários na sua guerra particular que lhe foram atribuídas pelo homem. O mal é estupendo na sua condição de parâmetro... O quanto ele é útil... O bem? O que é o bem? A negação do seu oposto? Por aí corre um fluxo que pela ignorância ou ansiedade pode ser questionado, mas nunca realmente respondido porque a própria realidade é questionável. O que sou? Talvez apenas um provocador. Não gratuitamente, apenas para incomodar, mas para ser respondido com perguntas, metáforas, empurrões, lágrimas, gargalhadas, sorrisos, tudo o que vier do outro lado. Por que? Não se tem resposta. Comecei dizendo: apenas ser. Perde-se tempo demais procurando motivos e de menos vivendo possibilidades. Dúbio? Sim! E quem disse que isso é um defeito? As quedas são eficazes, mas não são necessárias como falam por aí... Não é isso que indica caminhos. O movimento é que faz isso. Talvez por isso andar em linha reta cause tanto tédio. É tão previsível... Ou não. As interrogações estão presentes em qualquer mente, mas utilizá-las requer provocação, que não necessariamente venha de si próprio. O movimento dá respostas para muitas dúvidas, porém é tudo momentâneo, é um ciclo tão presente quanto a respiração. E como é que tudo pode ser tão simples e atingir uma complexidade inexplicável na carente alma do ser? Apenas ser... Como a palavra “apenas” deixa claro o princípio básico. Somos almas desassossegadas, como disse um amigo meu? É possível. Qual a causa? Falta do que fazer, desleixo do paradoxo do não questionável? A loucura do “apenas ser” não é oculta, não tem porque atingir essa condição. Misterioso é o tédio, em suas inúmeras visões, distorcidas ou não.
No meu espelho o reflexo é obscuro, sem forma concreta de reflexo. E aceito isso, me sinto privilegiado por aceitar o “apenas”. Existe fogo, é claro. E a chama incomoda muito, mas não vou queimar, por mais que ela se pareça próxima, não vai acontecer. Amo o amor que me dão, da forma que me é enviado e não especulo sobre isso, apenas vem. É inegável a sua nuança e as angústias que isso causa, mas possibilitam novos rumos e seja qual for o escolhido, as coisas voltam ao normal. Normal? O que é significa essa palavra? Apenas um padrão cultural seguido para definir o bom do ruim, o certo do errado. Uma bobagem, não sei por que falei isso, não merece o esforço dos meus dedos para teclar.
Aos que me amam, saibam que se machucarão muitas vezes e de diversas formas. Mas viverão eternamente evitando a tediosa faceta da tentativa de exatidão. Novos degraus estarão sendo desvendados sem ordem de subida nem descida. E possuirão todos os cuidados necessários. Aos que restam, espero que nos encontremos em algum lugar no vazio, tentando desvendar as interrogações, esquecendo de conceituar quedas e aceitando o movimento.


enviada por D.Angelis






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